Friday, June 06, 2008
Governo Lula -Junho 2008
Soberania como farsa
Soberania
por Heitor De Paola em 10 de maio de 2008
“A mídia está de tal forma sob preconceitos (antiamericanos) que nem chega a perceber os próprios preconceitos. (…) Um simples fator é decisivo para sua tomada de posição: o regime proscreveu o Partido Comunista? Então é ruim!”
RONALD REAGAN
A soberania e a integridade territorial são conquistas importantes da constituição dos Estados modernos. Sem o respeito a elas seria impossível sequer ter uma administração conseqüente. Enquanto a primeira é um conceito jurídico universal, o último é uma conseqüência variável dela. Embora movimentos separatistas sejam freqüentemente vistos com desconfiança, a história mostra que partes de territórios podem se separar sem que o princípio da soberania seja desrespeitado,
Relembro estes fatos a propósito de duas situações que afligem o nosso continente nos últimos tempos: a recente, e ainda não resolvida, é a crise entre Colômbia e Equador envolvendo outros países, e, muito mais grave, as ameaças à soberania brasileira sobre porções do território nacional. Os dois casos apresentam aspectos antagônicos se forem analisados pelos métodos tradicionais.
No primeiro caso a reunião do Grupo do
Nega-se o fato óbvio de que o território equatoriano foi invadido antes pelas FARC, provavelmente com a aquiescência do governo “progressista” de Correa, também aliado das FARC no FSP. Esta invasão não é considerada um delito à soberania, nem o apoio a um partido minoritário que é a extensão política da narco-guerrilha. Espera-se para breve um reconhecimento da mesma
No caso da iminente separação de partes imensas do território do Brasil, presidido por uma dos fundadores do FSP, transformando-se as reservas indígenas em “territórios indígenas autônomos”, nenhum pio foi ouvido dos mesmos governos tão ciosos em defender a soberania do outro aliado do FSP. À declaração cínica e hipócrita do governo brasileiro de que não podem condenar as FARC para não perder “capacidade de diálogo pacífico com todas as partes em conflito”, soma-se a óbvia violação oficial da Constituição para instituir os novos “quilombos”, lesando os princípios de propriedade – de onde nasceu o de soberania. Pois não existe soberania verdadeira onde esta não seja garantida às propriedades dos indivíduos. A soberania nacional sobre os territórios indígenas já está efetivamente abolida no momento mesmo em que se proíbe a entrada de autoridades militares brasileiras e se as substitui por ONG’s.
Para entender o elo que liga todos estes acontecimentos – incluindo certas interpretações do que ocorre na Iugoslávia contrárias à independência dos povos subjugados - é preciso apelar para outro método de análise que não o tradicional e recuar até 1864 quando Marx e Engels fundam a Associação Internacional dos Trabalhadores. Pela primeira vez na história, se reuniram trabalhadores de diferentes países para dar forma ao lema “Proletários de todo o mundo: uni-vos!” do Manifesto Comunista de 1848. Daí a fundação do Komintern e imposição dos partidos comunistas abandonarem o patriotismo, às falsas modificações introduzidas em 58 (todos os PC’s abandonaram de uma só vez o internacionalismo, o que denunciava que tudo não passava de uma farsa), à fundação do Movimento dos Não-Alinhados pelo falso dissidente Tito, até a OLAS e o Foro de São Paulo, o movimento revolucionário jamais deixou de ser unido e internacionalista, usando os partidos e frentes “nacionais” para atacar por dentro o inimigo. Ora, o princípio da não intervenção não se aplica a eles, já que são forças nacionais! As suas alegações de soberania nacional não passam de farsa da pior espécie, pois o que comanda as ações são os interesses revolucionários. Assim, a perda de soberania territorial do Brasil serve à revolução? É boa. O delito de soberania do Equador não serve à revolução? É má! Para os democratas e patriotas o conceito é uno, absoluto e sagrado.
O socialismo de resultados
O socialismo de resultados
Denis Lerrer Rosenfield
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A discussão sobre a natureza do governo petista envolve uma abordagem de sua relação com a proposta socialista que o orienta. E digo bem orienta no presente, pois os impasses que temos observado e as constantes referências do partido à sua vinculação socialista exibem manifestamente um problema não resolvido. A questão ganha ainda um contorno mais acentuado pelo fato de os críticos à atual orientação considerarem que Lula e seus companheiros governamentais são, supostamente, ex-socialistas. Outros, por sua vez, procuram manter a idéia de socialismo como uma idéia sagrada, que teria sido maculada por "traidores".
Os que defendem o "socialismo" como uma idéia que seria perene e imutável, sempre clamando por sua realização, são, paradoxalmente, os que mais se afastam de Marx. Estão, na verdade, ancorados numa idéia de tipo religioso, que seria religiosamente sempre a mesma, imune à sua realização e às provas empíricas e históricas de sua realização. Para Marx, a natureza de uma coisa se definia por seu próprio processo. No caso, o socialismo seria a idéia e sua realização, o processo conduzindo de uma à outra revelando a sua própria natureza. Logo, o único procedimento adequado seria o de testar uma idéia por seu processo de realização, em que teríamos, por assim dizer, a prova de sua validade. Desvincular a idéia de sua realização seria um procedimento dogmático, que se afastaria de todo critério de cientificidade.
Para efeitos desta análise não considerarei a social-democracia como uma forma de socialismo, embora pudesse fazê-lo, pois os seus fundadores e os que se proclamam dessa posição reivindicam tal filiação. A razão é simples. Historicamente, os social-democratas foram considerados "renegados", "traidores" do verdadeiro socialismo, tendo sido relegados à categoria depreciativa dos "reformistas". No Brasil, são considerados "neoliberais" pelos petistas e pelos grupos mais à esquerda, como o PSOL. Em suma, seriam considerados de "direita", apesar de os tucanos se dizerem de "esquerda". Este imbróglio, aliás, explica boa parte das dificuldades vividas pelo País, impossibilitando um diálogo, que não seja de surdos, entre o PT e o PSDB.
O socialismo, lá onde se realizou, terminou se mostrando um dos regimes políticos mais desumanos da história. A única dificuldade seria encontrar o exemplo mais aterrador, embora os ícones maiores sejam a União Soviética sob Stalin, o Camboja sob Pol Pot e a China sob Mao. Os assassinatos em massa, a supressão total das liberdades, inclusive as mais elementares, a onipresença do Estado, a miséria de boa parte de suas populações, a mentira como forma de governo, um partido que se dizia representante da verdade e a servidão de todos ao Estado-partido foram algumas de suas características mais visíveis. Em maior ou menor grau, essas características se fizeram presentes nos países ditos do "socialismo real", como os regimes estabelecidos na ex-Europa Oriental. Seu êmulo mais saliente na América Latina foi Cuba, que até hoje permanece como um regime anacrônico e liberticida.
Temos, agora, uma nova safra de repetidores, sendo o mais estridente deles Hugo Chávez, na Venezuela, procurando recriar no continente a mesma barbárie padecida por aqueles povos. O esquema ideológico, aliás, é o mesmo, em nome da "generosidade" e da "justiça", contra o "imperialismo", atraem as mentes incautas e dogmáticas, que estão ávidas por uma nova forma de servidão. No Brasil, ela já surge sob a forma da servidão do pensamento, envolvendo intelectuais, políticos e professores, que têm dificuldades manifestas na convivência com o espírito livre e crítico. Se pior não aconteceu, foi pela resistência encontrada pela proposta socialista, apesar de um exterminador da liberdade como Che Guevara ser entre nós um ídolo romântico. O seu "romance" foi uma das maiores farsas da história.
O PT jamais fez um balanço sério dessa história, embora em seu site e em suas publicações pululem artigos a respeito. Os que aparentemente criticam a experiência de realização do socialismo o fazem a partir de uma idéia religiosa que, por um mistério teológico, teria sido mantida válida apesar de suas vicissitudes históricas. Vivendo com abstrações, que não oferecem nenhum tipo de orientação para a tarefa específica de governar, terminaram caindo numa outra forma de realização socialista, cujos resultados se fazem sentir na corrupção, no aparelhamento partidário do Estado e no desvio de recursos públicos, cujo emblema é, hoje, o "mensalão". Observe-se que o "discurso socialista" foi particularmente apropriado para o exercício da oposição, uma vez que, aí, bastava recorrer aos chavões marxistas da "justiça" e da "luta de classes", repetindo os processos que desembocaram, no século passado, no "totalitarismo" e na "democracia totalitária".
Nesse contexto, não deveriam causar estranheza processos como os que desembocaram no mensalão e em outros escândalos do mesmo tipo. Eles constituem uma outra vertente do socialismo quando os seus representantes não conseguem impor uma democracia totalitária e se vêem confrontados a governar uma sociedade baseada na propriedade privada, na economia de mercado, no Estado de Direito e na defesa das liberdades. Oscilam os seus governantes entre a "democracia totalitária", numa proposta presente nos ditos "movimentos sociais" e em seus apoios no PT, no PSOL e no PCdoB, traduzindo-se em Ministérios ocupados por esses grupos e correntes, e uma espécie de integração que fingem abominar e se torna visível no desvio de recursos públicos. Como desconhecem a natureza democrática das sociedades que verdadeiramente realizaram o capitalismo, como os países europeus e os EUA, continuam vivendo na desorientação dos que se recusam a pensar a história e a si mesmos.
Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS
A nossa gloriosa insignificância
A nossa gloriosa insignificância
João Mellão Neto
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O Brasil é um país quase perfeito. Temos um território continental, grande parte dele de terras agricultáveis, estamos isentos de desastres naturais de grande monta (terremotos, furacões, neve), nosso clima, em geral, é ameno e nosso povo, segundo pesquisas, é o mais otimista do mundo. Não há nada, enfim, que justifique a baixa auto-estima dos brasileiros. Talvez seja por isso mesmo. A têmpera do nosso povo nunca foi testada, nem por guerras, nem por privações. Não tivemos ainda a oportunidade de provar ao mundo a nossa tenacidade. Em países de clima frio, não se brinca em serviço. Há que produzir de sol a sol, no verão, sob pena de se passar fome no inverno. Mesmo o nosso sentimento de Pátria - pelo qual outros povos oferecem a vida - é tênue e moderado. Nós nos unimos para torcer pela seleção brasileira e é praticamente só isso. Terminado o jogo, cada um enrola a sua bandeira e adeus ao sentimento de unidade nacional.
Um velho político norte-americano disse certa vez que os aços de melhor têmpera são forjados sob o fogo mais forte. Se é assim, vai ver que o nosso fogo é morno. Ninguém, na verdade, está disposto a oferecer a própria vida no altar da Pátria; ninguém, na verdade, está disposto a abrir mão de nada, quando a Nação corre perigo.
Alexis de Tocqueville, um membro da pequena nobreza da França, viajou à América logo nos primórdios daquela civilização. Dotado de um agudo senso de observação, ele notou nos norte-americanos um sentimento quase paradoxal no que diz respeito a civismo: "Os americanos são o povo mais egoísta e individualista do mundo. Cada um cuida de si e a solidariedade praticamente inexiste. Mas bastou que a comunidade corresse algum perigo, que todos se uniram, e cada um não se furta a cumprir a sua parte, por mais sacrifício que isso implique." Individualismo mais comunitarismo: esse inédito arranjo social norte-americano, segundo Tocqueville, era responsável pela grandeza e pela força da América. "Nós, latinos, nos derramamos em palavras bem-intencionadas, mas, na verdade, não estamos dispostos a ceder em nada", concluiu.
As diferenças ente os povos latinos e os de origem anglo-saxônica não param por aí. Um amigo meu, levado pela profissão a freqüentar com assiduidade os Estados Unidos, observa que não há nada mais diferente, culturalmente, que um norte-americano e um brasileiro. E quem não atentar para isso está fadado a se dar mal na América. O sistema de crenças e convicções dos americanos é substancialmente diferente do nosso, bem como os seus valores. O primeiro contraste já se mostra na atitude de ambos perante a lei. Os americanos acreditam que suas leis têm uma origem transcendental, emanadas que são dos founding fathers - um congresso de iluminados que redigiu a Constituição. No Brasil a lei... Ora, a lei... Ninguém sabe quem escreveu, para que e com qual objetivo.
Na América é comum grandes astros do show business, quando cometem infrações, serem condenados a penas severas, mais do que seriam caso se tratasse de cidadãos comuns. É o contrário do Brasil, onde os ricos e famosos gozam de um sem-número de privilégios legais. Quem explica esse paradoxo é um juiz norte-americano, em entrevista a uma revista: "As celebridades devem pagar mais caro justamente porque são celebridades. Elas servem de exemplo para os cidadãos comuns. Devem ser punidas com rigor para demonstrar que aqui, na Pátria da Liberdade, a lei paira acima de todos."
Outra característica marcante dos americanos é a de que o povo, lá, não mente. Ou, pelo menos, mente muitos menos do que nós, os latinos. Muito brasileiro se dá mal na América porque teima em transplantar os seus hábitos e costumes para lá.
Para se concluir um negócio nos Estados Unidos quase não são necessários papéis e documentos. Isso induz muitos espertalhões brasileiros a tentarem forjar títulos e falsificar atestados. Não raro acabam na cadeia. A cultura vigente nos Estados Unidos é a da "presunção da boa-fé", ou seja, todo mundo é inocente até que se prove a culpa. Mas, uma vez provada esta, a lei não tem a menor clemência.
Enfim, estas são as diferenças básicas entre brasileiros e americanos. São eles os certos ou, então, seremos nós?
No Brasil, herança ibérica, talvez, sempre imperou a cultura do privilégio em detrimento da do mérito. Ninguém respeita sequer as filas de cinema. E autoridade é alguém fardado destinado a ser subornado.
A cultura americana tem, mais ou menos, a idade da brasileira. Nesses poucos séculos, eles lograram fazer da América uma nação. Nós outros a única coisa que soubemos fazer bem foi amaldiçoar os gringos, atribuindo-lhes todas as agruras por que passamos. Eles são os grandes culpados pela nossa pobreza, pela nossa estagnação e pela nossa falta de progresso. Esse fenômeno, aliás, não é típico do Brasil. A América Latina inteira, com raras exceções, tem como esporte favorito falar mal dos americanos. Enquanto desopilamos nosso fígado crucificando a América, o fato é que eles, os gringos, estão cada vez mais ricos e nós, cada vez mais pobres.
Que ninguém se iluda quanto à suposta importância que nós temos para eles. Dia destes, foi perguntado ao candidato democrata a presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, numa entrevista, o que ele achava do Brasil. Silêncio sepulcral. Ele não achava nada. Talvez nem soubesse a localização do País. Foi salvo por um providencial assessor que tratou logo de mudar de assunto. Nada mais normal. Se nós, brasileiros, não sabemos a localização da Zâmbia, por que Obama saberia algo do Brasil? A América Latina só é importante nos discursos de Hugo Chávez.
Monday, March 31, 2008
Tuesday, October 03, 2006
INNOVATION
A saudade do Brasil e ofuscada pela descrença em nossas intituições e a falta de patriotismo.
Monday, October 02, 2006
UFA!!!!! finalmente o povo brasileiro acordou!! O Rio segue decepcionando.
Salvos por Sao Paulo no segundo tempo, e duro para um carioca ter que assumir isso, mas o Rio segue decepcionando como sempre em materia de voto.
Esperemos agora no segundo turno nos livrarmos de vez desta turma de ratoes, liderados por Ali Barbudo/e sua corja.


